segunda-feira, 18 de abril de 2011

Inverted Commas

Não sou pessoa de citações. E tudo se resume à velha questão da unicidade.


No entanto, difícil e estranho seria não me identificar com os outros, com o que os outros às vezes são e dizem. Há vibrações vocais e palavras que nos fazem o clic e zás... "É isso mesmo!", penso eu. E a partir daí os neurónios agarram-se àquela ideia como a uma íman e o novelo do problema, dos sentimentos ou de uma simples acção... desenrola-se facilmente.


Chove? Os impostos aumentaram? O prazo de entrega do IRS já foi ultrapassado? O coração levou um pontapé de parar a respiração? Tomorrow is another day! A Scarlett O'Hara passou fome, perdeu a fortuna, perdeu-se no orgulho, perdeu a filha, mas After all... Tomorrow is another day! :)


Chego à conclusão muitas vezes que nasci, como se costuma dizer, com o rabo virado para a lua. Acredito na sorte, sem saber o que ela é e sem a conseguir definir. Suponho que é por ser uma optimista nata. Ou então porque tenho uma tolerância absoluta com a despreocupação com que levo parte da minha vida. Be careful what you wish for, it just might come true. Aqui não entra a chave do Euromilhões ;)


Há dias em que abrir os braços e deixarmo-nos ir em queda livre sabe melhor que ficar cá em baixo a olhar para o céu. Difícil, deveras difícil para quem gosta de marcar pegadas. Na vida não sou pessoa para fazer bluff, só cá estou uma vez. You have to give up the life you planned to find the life that's waiting for you. No entanto, as palavras da Nora Walker fazem-me querer voar! :)


Não ando de sapatos altos todos os dias, não me maquilho todos os dias, não combino perfeitamente os brincos com os anéis, não tenho cabelo liso. Sabem porquê? I will never be the woman with the perfect hair, who can wear white and not spill on it. Temos pena... mas não sou perfeita! :) Nem aspiro ser uma Carrie Bradshaw.


Cause I'll tell you something buddy boy. You lost yourself a great catch. 'Cause I am smart and I am pretty and I can stand on my own two feet. I am a homerun. Que mulher já não quis dizer isto a um ou outro "ceguinho"? ;) P.S - Que saudades de "homens aos pontapés", lol (tradução livre da Pinheirinha).


Não tomo café, não aprecio chocolates e o meu sotaque denuncia-me em cada frase. Sou inconveniente, falo alto (dizem alguns) e o vermelho é a minha cor favorita. Não sou um alien e aconselho a toda a gente Be yourself no matter what they say.


E por mais que me identifique, no fim sou...única! :)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Sou subtil

Ah pois sou. Ou não! Tem dias. Tem outros que não! Tem dias que me apetece contrariar e outros que só me apetece anuir. Às 2 da tarde penso demais, às 9 da noite sou impulsiva. Ultimamente ando no meio termo, o que de si só é "xquixito", tal e qual a forma que eu escrevi esquisito. Acordo para o banho e acabo o dia a dormir em cima da cama.

Está-me a apetecer ser subtil outra vez, para que amanhã já não o seja. Dizer coisas que nunca tenha pensado antes.

A mim acontece-me saírem palavras da boca, cuja forma como são ordenadas nunca antes haveriam sido pensadas. O que é estranho, porque se chegaram à boca e saltaram cá para fora, tiveram antes de passar pelo cérebro. O que me leva a crer que não estão aqui em questão as próprias palavras nem o meio, mas a velocidade a que elas são proferidas. Ou o estado inebriante com que elas são proferidas.

Ando com uns comics guardados há umas semanas e cá com uma vontade de me inebriar com eles...

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Bu

Foste e eu pensei que só voltaria a soltar palavras neste espaço depois de te honrar com algumas frases. Durante este ano e quatro meses construí frases na minha cabeça de tudo o que te queria dizer. Na nossa casa lembro-me das maças cozidas com canela que te fazia, ao deitar olho o Nito encostado às minhas pernas e vejo-te naquela cama a olhar com carinho para ele, na praia o banco de madeira não faz sentido sem o teu corpo lá a olhar o mar.
Sento-me onde tu te sentavas, uso as mesmas palavras que tu usavas... rio, sorrio e choro quando me lembro de ti. Fico a pensar que éramos muito mais próximos do que alguma vez imaginei.
Nestes momentos queria tanto que tudo não acabasse quando acaba. Queria dizer “bu” na segunda pessoa do presente do singular e não na terceira pessoa do imperfeito do singular.
Hoje penso que as frases que queria aqui soltar se resumem a uma.
Serás sempre um sol na minha vida! :)

terça-feira, 31 de março de 2009

I'm not alone!

Eu bem vos alertei para quem era Obama há uns meses atrás. E para provar que não estou sozinha nesta teoria da conspiração... perdão, da realidade, aqui fica um vídeo que vem corroborar a ideia que eu tinha da personalidade do senhor que agora manda no mundo.

P.S. - Obama is a pimp! Obama is a bissexual, like a bycicle, you roll on both hands... of the sexual spectrum! Acho que não é preciso dizer mais nada, a não ser que o Jason Jones está genial no papel de Kevin Space nos Suspeitos do Costume com um misto de Bruce Willis no Die Hard 3. Apesar disto tudo parece-me excessiva a insinuação à raça do Sr. Presidente com a frase Obama is a suave boy next door that you would just feel very confortable having a latte with.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Oscar's Time!

Pois é, lá chegou aquela altura do ano em que a Pinheirinha e os amigos se vão colar madrugada dentro com o AXN para a noite de Óscares. Eu que me tento preparar com antecedência para esta noite, vendo o máximo possível de filmes nomeados para depois no dia afirmar com toda a convicção, do alto da minha sapiência hollywoodiana, quem serão os vencedores, baldei-me inexplicavelmente este ano. Ainda quase não vi nenhum filme dos que têm mais nomeações e pior, só há uns dias atrás é que soube quem ia apresentar o espectáculo. Daí este post.

Indubitavelmente, uma parte do burburinho que gira à volta da cerimónia dos Óscares está relacionado com quem o apresenta. O espectáculo não é só o "toma lá a estatueta e faz um discurso rápido, para ver se pagamos um pouco menos à banda!". Não. É essencial que se faça a revista cinematográfica e política do ano transacto e de forma a arrancar o maior número possível de risos da audiência. Assim, é natural que normalmente os apresentadores sejam reputados comediantes. Daí que não seja de estranhar que Billy Cristal e Steve Martin sejam os mais emblemáticos nomes de apresentação da cerimónia. Whoppi Goldberg também já pisou o palco do Kodak Theatre e o Los Angeles Shrine Auditorium umas quantas vezes, mas pessoalmente, acho que sem grande sucesso. Mais recentemente a Academia tem apostado em pessoas com um talento enorme, mas não tão mainstream por assim dizer. Exemplo disso temos o caso (falhado) de Chris Rock, do (brilhante) Jon Stewart e da (surpreendente) Ellen Degeneres. 2007 foi o ano desta última e aquele que me pareceu o melhor dos últimos 5 anos. 2009 reserva-nos... Hugh Jackman.

"Hugh Jackman???" Foi o balão que surgiu por cima da minha cabeça quando li a notícia. "Hugh Jackman??? O da Austrália? Do filme e do país? O que foi recentemente considerado o mais sexy homem à face da Terra pela People? :S Weird", pensei eu. Mas rapidamente mudei de opinião e o que me fez mudá-la foi o artigo que aqui vos vou deixar e o maravilhoso mundo do YouTube. Então não é que o rapaz já havia apresentado os Tony 3 vezes e mais uma série de eventos? Não seria isso que lhe concederia um lugar de espanto na minha consideração (que obviamente não lhe interessa para nada), mas sim o facto de ter percebido que o senhor tem um talento especial para a cantoria e para a comédia. Daí que estou muito curiosa para ver o que está preparado para este ano.

O artigo que aqui vos deixo teve dois efeitos surpresa em mim. O primeiro quando percebi quem ia ser o apresentador dos Óscares este ano, o segundo está relacionado com quem o escreveu. Joel Stein é colunista regular da Time e apesar de já ter lido muitos artigos dele, este foi provavelmente dos melhores. Isto para lembrar que há um ano atrás, por esta altura, estava a realizar-se a maior greve de argumentistas e guionistas da história do entretenimento mundial e que parece que só quando isso acontece é que as pessoas se lembram que a maioria do que nos entra pelo televisor adentro, o que assistimos nas telas do cinema e muito do que se faz na internet sai das cabecinhas de milhares de anónimos que raramente são mencionados ou reconhecidos como realmente deveriam ser. Como por exemplo, o jovem Jon Favreau, ou como Obama gosta de lhe chamar "my mind reader". Se Obama ganhou a presidência dos Estados Unidos foi muito graças ao seu autor dos discursos. Com Obama ou sem Obama (e podem apostar que ele estará presente na cerimónia no próximo domingo, não em pessoa, mas nas palavras de Hugh Jackman) o que interessa é que pressinto uma muito engraçada edição de Óscares este ano. E uma vez que me baldei indecentemente em relação aos filmes nomeados, pelo menos quero-me divertir com o acessório do espectáculo! Let the show begin...




I WROTE THE OSCARS! by Joel Stein

For reasons I accept but will never fully understand, hundreds of millions of people would rather be entertained by the Oscars than by this column. So I felt vindicated when I got an e-mail three weeks ago from John Palermo, the producing partner of this year's host, Hugh Jackman, saying he liked my work and wanted me to write for the Academy Awards. I wasn't exactly sure how the Academy expected me to craft an opening in which Jackman quickly segued into talking about me and my sophomoric sexual obsessions, but I was up for the challenge.

Since this was clearly the biggest, most important comedy job I'd ever get, I expected the Academy to send an official package of Oscar history, tips from past writers and a truckload of money. Instead, I got just some grainy DVDs of Jackman hosting the Tony Awards. I was starting to wonder if I was really hired by the Oscars when I found out I wasn't. It turns out the Academy hires pros like Bruce Vilanch for the presenter banter but lets the host pick his own team. This makes sense when the host is a comedian with a staff of writers. It makes less sense when the host is known for being PEOPLE's Sexiest Man Alive. What I've learned from late-night Cinemax is that sexy people don't place a high value on writing.

Luckily, all four of us had a few things in common. We hated The Curious Case of Benjamin Button and had no idea that The Reader wasn't a children's magazine. We also thought Jackman shouldn't tell any jokes and should instead open with a big musical number that references the recession. But every good concept we had we immediately killed because it reminded us of Billy Crystal. You would think that would be a good thing, since Crystal was the most beloved Oscar host ever and got the job eight times. But comedy writers are far more interested in impressing other comedy writers than in pleasing an audience. This is why most comedy sucks. If we thought we could have gotten away with an opening number that made fun of genocide, we would have. Instead, we just wasted hours making those jokes anyway. We also spent a lot of time trying to figure out if we'd get in trouble for ordering room service. The answer, so far, is no.

The only proof that we really were writing for the Oscars is that Jackman would visit our room for a couple of hours each day. To my surprise, the best kind of boss is a sexy boss. Jackman greeted each of us with a giant hug, which would have been a perfect test of how gay I am, except I was totally focused on making sure I wasn't crushed to death by his giant lats. So ... pretty gay. Jackman would laugh uproariously at everything we suggested, which is one of the huge advantages of writing for a noncomedian. He acted out all our stuff, belted out our songs while standing on furniture and even watched most of Be Kind Rewind with us for no good reason. He was so omniscient in his niceness that not only did he look sad when we played him the Christian Bale freak-out tape, but he also, after agreeing to record a parody of it, called Bale to make sure it was cool if we put it online. He even let me try on the real, $18,000 plastic Wolverine claws, which made me want to do a bit about the moon and body hair; the reaction made me realize I probably should have seen an X-Men movie before writing for Jackman.

It soon became clear that not only was writing for the Oscars not the hardest job of my life, it wasn't even the hardest job of my week. We brought in a guy who wrote music, and six days later, the opening number was complete. It's not bad, and when Jackman sings it, it's great. Because while we weren't smart enough to write great jokes, we were smart enough to figure out that Oscar audiences don't remember jokes. They remember whether the host set the celebratory mood, as Crystal did. Our job was to get out of the way of Jackman's charm, and if that meant ordering room service and letting the other writers do all the actual lyric-writing, then I was a fine hire. All the good jokes, by the way, were mine.

P.S. - Estou realmente convencida que seria uma mais valia nas Produções Fictícias. Porquê? Reparem no título! E mais não digo. Ih Ih!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Directement de Île-de-France...

... com um pouco de sotaque ... au revoir!!! Au revoir Paris!!! Nous allons revenir un jour! :)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Na realidade eu queria era que as guerras acabassem e que as criancinhas não tivessem fome, mas a coroa não me serve neste dia de Reis!

Fazer resoluções de Ano Novo parece ser a tarefa de milhões no dia 31 de Dezembro de todos os anos e embora não seja apologista disso, o certo é que o ciclo, de uma forma ou de outra, se faz sentir nas minhas veias. Assim, aqui fica uma pequena amostra de algumas coisas que quero fazer ou mudar na minha vida nos próximos 365 dias... quer dizer, nos 359 que restam. Se se lembrarem de alguma coisa que vos pareça premente na minha vida para este ano sintam-se à-vontade para acrescentar.

- NÃO usar o cartão ZON tudinho.
- Pintar o cabelo de ruivo e fazer extensões.
- NÃO escolher uma música para este novo ano.
- Usar o MSN todos os dias de forma a manter o contacto com os outros o mais virtualmente possível.
- NÃO tentar deixar de fumar.
- Travar a vida.
- NÃO mais escrever longos textos neste blog.
- Deixar de ser "esquizofrénica".
- NÃO conhecer pessoas novas.
- Comprar um carro, novinho em folha.
- NÃO arranjar emprego.
- Ir todos os fins-de-semana aos mesmos locais que fui em 2008.
- NÃO fazer mais que uma ÚNICA viagem este ano (depois de 8 de Fevereiro encosto às "boxes")
- Ler cada vez menos livros, revistas e jornais.
- NÃO pintar nenhum quadro.
- Deixar de ser cínica.
- NÃO ser optimista.
- Ser monocromática.
- NÃO ser excessivment gaie ou excessivement triste.
- Mudar a minha alcunha de Pinheirinha para Verdinha.



So if you're out there BOM ANO!!! :)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

OBAMA MATA A AVÓ

Obama mata avó. É verdade e tudo começou há cerca de 30 e tal anos atrás. Durante toda a campanha Obama foi acusado de ser demasiado branco, pouco negro, frio, calculista, arrogante, inexperiente no campo político, pedante, etc., etc., etc… Ora nada disto foi tão verdade como até ao dia de hoje, pronto... de ontem.

O candidato presidencial chamava à avó tutu, há quem diga que era uma alcunha carinhosa havaiana para avó, no entanto olhando para este nome facilmente percebi que tutu não passa de uma mistura de tutsi e hutu, que como toda a gente sabe são os povos que em 1994 andaram à porra e à massa lá para os lados do Ruanda, aquando do genocídio (sendo que foram os tutsis que levaram com a massa, o que faz de Obama um Hutu). E foi quando a história do cancro me começou a cheirar mal. Assim o meu faro de Geraldo Rivera/ Maria José Morgado/ Inspector Gadjet fez-me pesquisar um pouco e trazer até vocês a Verdadeira História sobre a morte de Madelyn Dunham.

He spoke of her often on the campaign trail, mentioning that she worked in a bomber assembly plant during World War Two. Later, she worked as a secretary in a bank and was eventually promoted to vice president, reportava a CNN. Até aqui tudo bem. O que eles se esqueceram de dizer foi que uma vez a avó chegou a casa, depois de um dia de trabalho como vice-presidente lá do banco, virou-se para o neto e disse Obamazinho traz um chazinho à avó! Obama fez ouvidos de mouco, o que era uma estupidez, uma vez que com aquelas orelhas o puto não enganava ninguém. A avó repetiu mais uma e outra vez até que se irritou e foi ver o que ele estava a fazer. Foi dar com o Obamazinho no jardim com várias páginas de revistas e jornais espalhados à sua volta. Numa estava o Rockefeller, noutra uma foto do Neil Armstrong na lua, noutra Jackeline Kennedy. No entanto, no centro de cerca de 10 páginas estava uma do Washington Post com uma fotografia da Casa Branca. Barack perguntou a Madelyn se podiam viver naquela casa grande ao que a avó respondeu com uma gargalhada estridente, acrescentando Porque é que achas que essa casa se chama Casa Branca? Pensas que és o Luther? Vê o que lhe fizeram há 3 anos atrás! Não, meu querido, não podes viver lá. E continuou a rir de regresso a casa. Obama ficou furioso e disse para si mesmo ai vou viver lá vou, tu é que não, mas vais-me ajudar. MUAHHHHH!!! E desde então que começou a arquitectar a morte da avó.

Frio? Calculista? Nã, nada disso, o homem só conseguiu matar a avó na véspera das eleições, de forma a que a grande afluência às urnas quase parecesse o cortejo fúnebre da Princesa Diana. E no fim de contas, Barack, que agora é mais branco que o Michael Jackson, até já tem uma outra avó, a Mom Biden, que se bem se lembram durante a convenção democrata acarinhou quase mais o candidato a presidente que o candidato a vice, o que é normal uma vez que suspeito seriamente que a senhora está esclerosada, pois toda a gente saiu do palco e a velhotinha ficou para trás a acenar ao público.

Inexperiente no campo político? Demasiado branco? Nã, nada disso. Ele simplemente viu este comic sobre a história dos Estados Unidos, do fabuloso Bowling for Columbine, e decidiu fazer a continuação.


A big chunk of whatever success I’ve achieved is because of her – afirmou ontem Barack e há quem jure ter ainda ouvido I used to love her, but I had to kill her!

Sabem que vos digo: DON’T VOTE!



OR VOTE!


But don't forget, Obama killed his grandmother.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Being Alive

Almost Happy - Ks Choice


O que é que D.H. Lawrence e K's Choice têm em comum? A Pinheirinha, o que é uma honra para ambos. Eu gosto do improvável, de o ser, de provar que isso da improbabilidade não existe. E até este momento seria quase improvável juntar os músicos belgas com o escritor inglês, no entanto aqui estão eles.

O que é mais importante: ser feliz ou sentirmo-nos vivos? Será um o caminho do outro? Um a consequência do outro? Não necessariamente, isto porque nem sempre sabemos o que é que nos fará feliz, ou mais feliz. E ser ou estar-se meio feliz não existe e se existir parece-me então que estamos num estado de letargia. O que não é mau de todo se a seguir nos soubermos "ressuscitar" desse estado. Já em relação a estar-se ou sentir-se vivo não há limbo possível. É-se, está-se, ponto final. Sentirmo-nos vivos acarreta muito mais segurança que o Santo Graal da felicidade, além de que me parece um caminho muito mais fácil de percorrer, pois não necessita de mapa. Já encontrar o Santo Graal... algumas pessoas podem nunca o vir a fazer.

By now, Pinheirinha just wants to be fully alive and rely on... rely on her, regardless of happiness.

Being Alive

The only reason for living is being fully alive
and you can't be fully alive if you are crushed by secret fear
,
and bullied with the threat: Get money, or eat dirt! —
and forced to do a thousand mean things meaner than your nature,
and forced to clutch on to possessions in the hope they'll make you feel safe,
and forced to watch everyone that comes near you, lest they've come to do you down.

Without a bit of common trust in one another, we can't live.
In the end, we go insane.
It is the penalty of fear and meanness, being meaner than our natures are.

To be alive, you've got to feel a generous flow,
and under a competitive system that is impossible, really.
The world is waiting for a new great movement of generosity,
or for a great wave of death.
We must change the system, and make living free to all men,
or we must see men die, and the die ourselves.

D.H.Lawrence

Amo este poema. Obrigada D.H.Lawrence!!! :)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Me Me Me!!!

Ser operada é um pouco como fazer anos, com umas pequeninas diferenças.

No nosso aniversário não nos costumam abrir e dar pontos, não nos dão sedativos (o que é pena porque aquilo é brutal) e eu, em particular, não fico especialmente feliz, fico mais para o taciturna. Além disso celebramos só um dia por ano e nesse dia não estamos sempre deitados. Pormenores à parte tudo o resto é muito similar.

Ser operada é quase como fazer anos durante 15 dias, dependendo da intervenção, obviamente. É o ring ring do telefone, a vibração das short message service, o dling dlong da campaínha a sair do intercomunicador. Os sorrisos e os abraços, as prendas e os mimos (mais um Keith Haring para o meu quarto :D) e ainda a minha decisão soberana de ver, comer (hoje deixaram um dos pratos preferidos da menina, LEITÃO, nhami) e fazer o que quiser.

Também temos alguns dissabores como ler mais um livro do Gabriel Garcia Marques e continuar a não perceber o fascínio à volta deste escritor (pronto, cruxifiquem-me, vá lá) ou ainda termos tanto tempo livre e não termos posição para escrever e postar, postar, postar até mais não.

Fora isso, ainda não percebi bem se prefiro fazer anos ou ser operada. Noutro dia disse a um amigo que gostei da experiência. Obviamente que ele soltou um espantado Ai gostaste? Percebamos uma coisa, o facto de eu ter gostado não quer dizer que queira repetir. Gostei porque nunca tinha passado por essa experiência, mas principalmente porque correu tudo lindamente, tal e qual como eu tinha imaginado, contrariando todos os que me diziam que não iria ser pêra doce. Já comemorar aniversários não é o meu forte. Tem anos em que detesto, mesmo.

De uma forma ou de outra is all about me and by this time I'm so sick of me! Uma semana inteirinha comigo e chego à conclusão que não percebo como vocês todos me ADORAM e alguns AMAM mesmo!!! LOOOOOL. Agora que a recuperação está quase a acabar estou mortinha para dar de volta tudo o que recebi, porque receber é muito bom, mas dar... dar é milhoes de vezes melhor!

No entanto, não se esqueçam, há sempre espaço no meu quarto para mais Keith Harings ;)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

OHHHH MAAAANHE!!!

Há uns anos atrás conheci o Underdog. Underdog era a alcunha, não o nome obviamente, ele chamava-se Ricardo e digo chamava-se porque já morreu. O Underdog era uma pessoa bestial, mesmo, e especial. Tinha um sorriso brutal, não era propriamente bonito, era mais… luminoso, isso, luminoso. O olhar ajudava, ou pelo menos a forma como ele olhava para mim. Não era uma pessoa feliz, não que fosse infeliz, mas tinha demasiados macaquinhos no sótão. Aliás, acho que foi ele próprio que se alcunhou de Underdog, o que dá uma ideia de como ele se perspectivava.

Ainda hoje tenho o seu número gravado no meu telemóvel e sou incapaz de o apagar, incapaz. Lembro-me imensas vezes dele, dele e de todos os meninos que me “adoptaram” (e à Bá) naquele campismo da Ericeira, no remoto Verão de 99. Lembro-me com saudades do que passámos lá, do amigo que perdi e do que se perdeu pelo caminho, o Pedro, a quem carinhosamente chamava de Papá. No entanto, do Underdog lembro-me sobretudo quando me apetece gritar. SIM, GRITAR. Daquelas férias ficaram-me três frases na memória: O que é que são 5 metros?, Ohhhh, MAAAANHE! e Porque é que não existem elefantes cor-de-rosa? Não me peçam para explicar a primeira e última frases, mas não, não andamos a ingerir cogumelos mágicos. Quanto à segunda… parece que ainda estou a ver o Underdog a vir da casa de banho, a aproximar-se das tendas e a gritar a todo o parque: OHHHH MAAAANHE! Lindo!

Não conheço expressão mais catártica! Mesmo! Quando alguma tensão me pesa nos ombros, duros como um iceberg, quando os neurónios estão tão cansados de tanto pensar num determinado assunto, quando as forças começam a escorregar como a água a escorrer para o ralo no banho, nada melhor que um bom grito e o OHHHH MAAAANHE é sempre a interjeição que me vem à cabeça. Só ouvindo é que alguma vez perceberão como é libertador. E reparem que podiam ser outras palavras quaisquer, desde que abram bem os pulmões e com toda a garra soltem alguma coisa. Contudo, parece-me que a figura da mãe, seguro poiso de abrigo, o lugar que nunca desaparecerá e para onde poderemos sempre voltar, tem uma relevância extraordinária. Infelizmente, se me der para um momento de catarse às 3 da manhã, em casa, não vou poder fazê-lo clamando em altos berros, mas só de me lembrar do Underdog a executar aquele estranho grito já fico muito melhor.

No entanto, esta não deve ser uma expressão associada a momentos menos bons. Nós usávamo-la especialmente quando estávamos animados, aliás nós estávamos sempre animados, como seria de esperar em férias. Esta expressão está sim associada a libertação, a um (Mafalda desculpa, mas vou ter de te roubar a palavra do mês) “DESLARGA-ME”, a um soltar de amarras. Àquele barulho típico das correias a rebentarem – TCHIM! WOW, melhor, bem melhor. E garanto-vos que raramente nos sentíamos presos.

Hoje lembrei-me do Underdog. Não me cheguei a despedir do Ricardo, nunca imaginei que teria de o fazer, mas talvez um dia passe pelo túmulo dele e diga baixinho: Sabes uma coisa? Cada vez menos preciso de chamar a minha mãe. E tu? Já sabes o que são 5 metros? Eu ainda não estou convencida de que não existem elefantes cor-de-rosa! :)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Ou sim!

Antes de qualquer Porquê? Hum... Porquê?II tive de aqui vir deixar outro post.

Localizemo-nos: estou em Lisboa, naquilo que muito gente chama de férias, mas que eu não caracterizo de tal. Mais propriamente em casa do Manel (Manel devo dizer que neste momento "invadi" o teu computador, mas nem tanto assim, porque não abri nenhuma das tuas janelas, só o Internet Explorer. Desculpa, mas tinha de ligar o meu laptop e ligar à net e isso dava muito trabalho, lol). A (n)ana está aqui ao lado a dormir (com uma moca de minis e João Pires) e o Manel já a dormir na sua cama. É assim que me recebem em Lisboa! E eu ainda a conseguir ver o Amistad.

E assim entra o porquê deste post. A certa altura do filme o meu actor preferido (Anthony Hopkins) profere as seguintes palavras, mais ou menos, não ipsis verbis - um apelo não é sinal de fraqueza! - Amei! Simplemente Amei!

Eu sei que não é, sei mesmo, mas para mim sempre pareceu. Tem dias que penso: Pinheirinha não é porque precisas dos outros que isso faz de ti fraca! Eu sei que não. Eu preciso sempre dos outros, todos nós precisamos, mas daí até dizer Help vai uma grande diferença. Ou não! (Não sei se já repararam, mas passo a vida a dizer "ou não". Porque será?)

Amanhã vou acordar e continuar a pensar o mesmo, que sou uma fraca por pedir ajuda. Mas pior, vou continuar a não pedir ajuda, só o farei em casos de catástrofe, red code mesmo. Quem me conhece bem percebe facilmente os meus pedidos de ajuda subliminares, mas também só os faço a quem me conhece bem.

Contudo, o mais giro de tudo é que enquanto escrevia este post o Amistad acabou, eu mudei de canal e no TVC2 estava a dar o Em Busca da Felicidade! Parece mesmo que vou ter de mudar a minha filosofia de vida!!! Ou não!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Porquê? Humm… porquê? I

Era e continua, certamente, a ser uma das minhas palavras preferidas: porquê. (Os advérbios em geral e os de modo em particular são outras das minhas palavras favoritas, não me perguntem é porquê, porque não saberia responder. Só sei que sempre que posso, zás, lá introduzo um. Manias...) Sim, porquê?

Aos 6, 7 anos a melhor professora que alguma vez tive, a da primária – honra seja feita à professora Luísa que bem podia ser santificada – já me apontava como a Mafaldinha da turma, não fosse eu já muito contestatária. “Porque é que os rios descem para o mar e não é o mar a subir para os rios? Porque é que Espanha tem um rei e nós não? Porque é que tenho de começar uma resposta a uma pergunta que comece por porquê com um porque?”. Em casa não me lembro muito bem, mas devia ser a mesma coisa, isto porque, a certa altura, o meu pai deu-me um livro cujo título era Porquê?. Hoje lembrei-me dele com saudades e fui procurá-lo. No caixote da Bela Adormecida, da Cinderela, de alguns Astérix, dos Contos do Gato Charabiá, da Menina do Mar, da Fada Ariana, dos livros da Disney, das colecções Bem Crescer Bem Viver e da Condessa de Ségur, lá encontrei o Porquê?, aquela que deve ter sido a minha bíblia durante alguns anos. (Que nostalgia me assolou a mexer naqueles livros todos…)

Ao folhear as 188 páginas do livro encontrei 500 questões e 1000 respostas que me satisfizeram há uns 20 anos atrás. Hoje, para além de ter muitos mais porquês para ver respondidos, algumas respostas não me pareceram as mais correctas. Outras ainda extremamente lógicas e umas quantas incompletas. Senão vejamos os seguintes exemplos.

“Pergunta 52 – Porque se faz casacos com peles de animais? Há animais que vivem em regiões muito frias, protegidos apenas pelo pêlo, que é muito quente. Daí surgiu a ideia de fazer com a pele desses animais casacos de Inverno. Por vezes custam muito caro, mas muitas mulheres compram-nos pela sua beleza e real protecção.” E podiam ter escrito um pouco mais de yada, yada, yada, que no fim eu responderia a isto muito melhor dizendo apenas: porque há pessoas que às vezes não pensam, porque se não lhes pesa na consciência ter um animal morto a embelezar os ombros, porque não matam os seus caniches ou os seus são bernardos e os pões às costas? Sempre ficava mais barato. A burrice humana mexe-me com os nervos de uma maneira inexplicável.

"Pergunta 147: Porque se pode beber sumo de uva à vontade e vinho não? Não tendo fermentado, o sumo de uva não contém álcool. O álcool contido no vinho é nocivo à saúde, principalmente à das crianças, ao passo que o sumo de uva é delicioso e nutritivo. (…) O álcool é um alimento de reduzido valor nutritivo e a sua ingestão repetida converte-o num veneno que prejudica o organismo, destrói lentamente as células e age sobre o sistema nervoso.” Calma, eu não me ando a envenenar. E garanto-vos que se não fosse o absinto, muitos dos génios literários que nos enchem as prateleiras nunca lá tinham chegado. Já para não falar nas inúmeras noites divertidíssimas à volta de packs de minis em casa do meu Migas e da minha Bé! Corre o boato, há uns anos para cá, que eu abri 3 garrafas de vinho num espaço de mais ou menos 20 minutos. As más línguas dizem que abri uma e enchi o copo. Acabei de beber esse copo e abri outra garrafa. Enchi outra vez o copo e quando o terminei, não satisfeita abri outra garrafa de vinho. Das três uma, ou estão a mentir, ou apanhei uma borracheira tal que já não via as garrafas, ou eu sou uma pessoa muito chique, só bebo um copo por garrafa de vinho. De qualquer das formas, crianças garanto-vos que o vinho não é veneno!

“Pergunta 156: Porque dizemos que “ não há rosas sem espinhos”? Ao apanhar uma rosa, encantados pela sua beleza e pelo perfume, podemos picar-nos nos seus espinhos. Mesmo com o que é bom, devemos ser cuidadosos. Assim, se comermos exageradamente chocolate, que é bom, podemos ficar doentes.” Team, não te faz lembrar nada? Só te falta transformar as tuas analogias em ditados populares. Garanto-te que tens futuro! ;)

“Pergunta 160: A Terra já existia antes de haver gente?” A resposta é a que todos nós já conhecemos, mas agora coloco eu duas questões: porque é que havia Terra se não havia gente? E para que é que ela existia se eu não estava cá, por exemplo? LOOOOOL. Quando digo eu, digo vocês, os que me rodeiam, não estou a ser assim tão egocêntrica, pois não? E ainda pergunto mais: quando eu morrer fará sentido a Terra continuar a existir? Humm… não me parece. Aliás não percebo como o mundo conseguiu chegar até 1980 sem mim, não percebo, simplesmente transcende-me.

“Pergunta 204: Porque crescemos? Crescemos durante muito tempo para deixarmos de ser crianças e transformarmo-nos em pessoas adultas com filhos, profissão e responsabilidades.” Ainda hoje meia volta lá estou eu sempre a fazer esta pergunta a mim própria, porquê? Porque é que temos de crescer? Eu adoro responsabilidades, adoro que me ponham um peso em cima para carregar, é sinal que confiam em mim e que sabem que aguento bem esse peso, mas daí a crescer… Estou a exagerar, obviamente (estão a ver? Mais um advérbio). Logicamente que prefiro os meus 28 aos meus 14, primeiro porque me lembro quão bons foram os 14, depois porque os 14 seguintes trouxeram um conhecimento impossível de adquirir se não passasse pelos 16, 21, 25 e 27 e ainda porque sei que os 28 mais que aí vêm serão os melhores que poderia ter. O futuro será bom, tenho a certeza, mas eu sou uma saudosista e crescer implica passar de um estádio ao outro sem que se possa voltar atrás. Queria tanto ser omnipresente e omnitemporal. (A parte dos filhos é que continua a não me agradar muito, prefiro afilhados e "sobrinhos")

“Pergunta 205: Porque choramos quando estamos tristes? (…) Uma notícia má, uma dor ou uma contrariedade desencadeiam um conjunto de reacções emocionais. Reflexos elaborados pelos núcleos cinzentos centrais do cérebro provocam a emissão de lágrimas, por vezes acompanhadas de gritos e tremores. Uma outra região do cérebro, o córtex, sede da vontade, permite controlar as manifestações de sofrimento.” E eu sou doutorada no córtex… ou não. A questão devia ser: porque choramos e não porque choramos quando estamos tristes. Eu choro de felicidade e de tristeza. Em relação à primeira não me importo, já em relação à segunda…dá-me cá uma raiva. Choro de cansaço e de nervos, de arrependimento e de ansiedade. Mas sabem que mais? Rio milhões de vezes mais por cada vez que choro, porque a Vida é Bela! Finalizo com uma questão que me suscita alguma curiosidade: porque é que, ás vezes, quando estamos tristes não conseguimos chorar? A gerência agradece respostas.

“Pergunta 221: Porque se diz “olho vivo”?” Para não nos esquecermos de ir ver o Steve Carell a partir de dia 7 de Agosto, num cinema próximo de nós! AH AH AH AH AH!

“Pergunta 223: Porque sentimos calor quando corremos? (…) O esforço produzido pelos músculos durante a corrida provoca um aumento do consumo de energia no organismo. O coração bate mais depressa, a oxigenação do sangue é acelerada, as oxidações são mais rápidas. Há então aumento da produção de calor.” Perdi-me nesta explicação toda. Eles estavam a falar de quê? Correr? De repente pareceu-me que estavam a falar de outra coisa…

“Pergunta 274: Porque queima o sol a pele?” No mínimo esta pergunta é para gozar comigo. Queima? Não tenho dado conta. Cá para mim o sol é racista e se foi Deus que criou o Sol, Deus então também é racista. Por estas e por outras é que eu nunca poderia acreditar em tal entidade. A pergunta devia ser formulada diferentemente: Porque é que o sol demora umas três semanas a queimar a pele de Pinheirinhas, humm, porquê? Nós branquinhas sofremos tanto…

“Pergunta 327: Para que servem os pára-raios?” Não servem para nada, pelo menos é o que o Patrick e toda a população de Elmo pensa (desculpem, mas esta era só para quem vê o Men in Trees. Não resisti.).

“Pergunta 409: Porque é que hoje não é ontem? O tempo corre de maneira irreversível, do passado para o futuro. (…)” A pergunta pode parecer estúpida, mas eu até acho que faz algum sentido. Claro que a resposta desfaz qualquer anterior lógica da questão, no entanto, esta também não é senão emocional. Pois reparem bem. Porque é que gostaríamos que hoje fosse ontem? Porque sentimos falta de alguma coisa, porque gostaríamos de mais umas horas para viver alguma situação, porque o dia correu tão bem que gostaríamos de o repetir ou porque simplesmente poderíamos corrigir ou acrescentar alguma coisa a algo. Este é o exemplo perfeito de como o córtex is just a tiny little part of our being. O meu racionalismo diz duhhh quando leio esta pergunta, mas depois… tudo o resto se interroga: porque é que hoje não é ontem?

“Pergunta 445: Porque é que no Natal se ornamenta a casa com um pinheiro enfeitado?” Qualquer explicação é inútil, porque os PINHEIROS são nossos amigos :) e nunca, mas nunca se devia ter começado tal tradição. Eu não gosto de servir de ornamento, tenho pouca vocação para enfeite.

“Pergunta 447: Porque é que se diz mentiras no 1º dia de Abril?” A resposta que é dada relaciona-se com a mudança de calendário. No entanto, parece que a mais lógica será a seguinte: para disfarçar todas as outras que se contam durante o resto do ano. Quantas vezes mentimos durante o ano? Por mim falo e afirmo que muitas, na maioria das ocasiões, são mentiras pequeninas que não ferem ninguém. As piores são as que contamos a nós próprios. Porque o fazemos? Porque por vezes precisamos, porque adiamos um assunto mais um pouco, porque é mais confortável, para não darmos grandes explicações, porque a verdade nem sempre é a melhor opção. Mentira. A verdade é sempre a melhor opção, mas se calhar hoje não é dia de a manifestar. (Nem de propósito, o Windows Media Player toca a Modern Way dos Kaiser Chiefs cujo refrão canta assim: This is the modern way, Faking it everyday, Taking it as we come, We're not the only ones, Is that what we used to say, That this is the modern way?)

“Pergunta 464: Porque se beijam as pessoas? É uma maneira de mostrar às pessoas que se gosta delas. É também um meio de agradecer, ou simplesmente uma forma de polidez. Mas é realmente um prazer beijar as pessoas de quem gostamos.” Pois… vamos lá esmiuçar isto mais um pouco então. Obviamente que este é um livro para crianças e não convinha que se pusessem com grandes dissertações sobre os vários significados de um beijo. Sim, na maioria das vezes a explicação vai recair sobre o afecto que temos por alguém e a sua manifestação. Mas nem só isso é um beijo. Por exemplo, os autores do livro nunca poderiam dizer que às vezes um beijo pode significar…nada, rigorosamente nada, senão arriscavam-se a que alguém imediatamente perguntasse: então porque se beija? E aí era o cabo dos trabalhos, porque até eu que já beijei sem significado, não sei bem como o explicar e é aí que reside o verdadeiro problema. E mais uma vez estou a mentir. Claro que não beijei sem significado, a questão é que não me agrada de todo o significado que me levou a beijar e por isso mesmo prefiro pensar que o fiz sem significado. Digam lá a verdade: alguma vez conheceram alguém que construísse e destruísse teorias tão rapidamente como a Pinheirinha?

“Pergunta 480: Porque fazem os homens a barba todas as manhãs? A barba dos homens cresce também de noite. Assim, eles barbeiam-se de manhã para a fazerem desaparecer, para ficarem com ar limpo e pele macia e para não arranharem as pessoas que os beijam.” Palavras sábias, se bem que a questão que se impunha seria porque é que nem todos os homens fazem a barba todos, todos, todos os dias, humm? Ai, ai, vamos lá ver!

As perguntas que tenho para um novo livro são outras. Aquelas que todos nós temos, as que se não temos vamos ter um dia destes, as que já foram feitas por alguém algum dia, as mais banais das banais provavelmente. Mas isso só no Porquê? Humm… porquê? I I. To be continued…

sexta-feira, 27 de junho de 2008

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Os Olhos dos Outros

Os olhos de quem me interessa, não quaisquer olhos. Os teus e os teus. Os dele e os dela. Os vossos e também os outros. No fim, os meus que vêem os vossos.

Só vejo os que quero ver. Aqueles que me dizem que tenho um feitiozinho tramado, os castanhos que me apontam um coração do tamanho do mundo, os mais pequeninos que me chamam de preguiçosa, os que choram a rir com a quantidade de disparates engraçados que eu sou capaz de produzir.

Gosto dos olhos que sei que nunca me vão mentir, dos que sempre me vão amar e dos que me acalmam quando fico “estouvada”. Há ainda os que poucas vezes me viram, mas que eu admiro por verem longe.

Tenho ainda na memória a íris dos que não gostam de me ver chorar (e que sabem que ODEIO chorar), dos que procuram a criança que há e sempre haverá em mim e dos poucos, muito, mas mesmo muito poucos que reconhecem o cinismo impregnado em algumas das minhas palavras. Adoro os que se chateiam comigo, que me fazem ficar triste comigo própria, que me fazem pensar que ODEIO ficar triste e que no dia seguinte me aconchegam num abraço que me faz sorrir e pensar que AMO sorrir.

Tenho sempre comigo as pupilas repletas de partilhados guilty pleasures, os olhares a pedirem feedback, mas que nem precisam que eu pestaneje para que o recebam, as córneas de quem compartilha aquele único momento.

Depois… os que não quero ver, porque não preciso, porque não quero, porque tenho os olhos de quem me chama pedante intelectual e os de quem me aponta todas e mais algumas manias. Para que preciso eu de mais quando tenho os vossos?

Sou filha de pai e de mãe… e que grandes pais. Da mãe herdei o género e a bondade, do pai… bem, do pai seria tudo o resto, não fosse eu também vossa “filha”. E sou vossa “filha”, essencialmente, porque sou filha única de pais separados desde muito cedo. Nós que pertencemos a esta categoria, somos todos muito filhos uns dos outros. Dos biológicos vou herdar tudo aquilo que alguma vez eles e eu poderíamos desejar, o MEU caminho. De vocês… os passos que farão com que não percorra o MEU caminho sozinha. :)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Something shy about me


Shy that Way: Jason Mraz and Tristan Prettyman

terça-feira, 15 de abril de 2008

Orgulhosamente pecadora, mas nem tanto assim!

“Innocent? Is that supposed to be funny? An obese man... a disgusting man who could barely stand up; a man who if you saw him on the street, you'd point him out to your friends so that they could join you in mocking him; a man, who if you saw him while you were eating, you wouldn't be able to finish your meal. After him, I picked the lawyer and I know you both must have been secretly thanking me for that one. This is a man who dedicated his life to making money by lying with every breath that he could muster to keeping murderers and rapists on the streets! A woman... so ugly on the inside she couldn't bear to go on living if she couldn't be beautiful on the outside. A drug dealer, a drug dealing pederast, actually! And let's not forget the disease-spreading whore! Only in a world this shitty could you even try to say these were innocent people and keep a straight face. But that's the point. We see a deadly sin on every street corner, in every home, and we tolerate it. We tolerate it because it's common, it's trivial. We tolerate it morning, noon, and night. Well, not anymore. I'm setting the example. What I've done is going to be puzzled over and studied and followed... forever.”
É bem verdade, agora foi a vez do Vaticano seguir o exemplo. Não foi tão radical quanto este John Doe, mas que lá lhe apanhou o jeito castrador apanhou. Ou então não.

Perguntar a Bento XVI qual o seu livro de mesa-de-cabeceira seria imbecil. Já perguntar-lhe qual o seu filme preferido e arrancar-lhe a verdade verdadinha seria obra, obra para Pulitzer. Ora senão vejamos.

Jornalista (com uma lata tremenda que o levará direitinho ao quentinho Inferno) – Santo Padre, agora que os nossos leitores ficaram a saber que uma das tarefas que mais lhe apraz é ditar os artigos do L’Osservatore Romano, enquanto saboreia um arrozinho de cabidela, pode partilhar connosco o que faz nos seus tempos-livres? Vê filmes?
Santo Padre (enquanto limpa a boca e faz sinal para que lhe tirem o prato e tragam a sobremesa) – Mio Figlio, essa é una pergunta molto difficile de respondere. (Os pastéis de Belém que acabam de chegar quentinhos à mesa fazem salivar o jornalista) La verità es que io non vedo molti film. Ma que bello orologio avete voi. È un Bulgari? Mi piace los Rolex. Mi scusi, parlavamo de film. Mi piace lo Diece Ordini, con il più grande Charlton Heston. Ché forte e bello uomo. E ché corpo muscoloso. (Santo Padre come um pastel de nata de uma só dentada e nota-se uma pequena baba a cair, enquanto o seu olhar fica preso no corpo musculoso de um Heston com uma tábua na mão)
Jornalista – Calculo que aprecie os filmes dedicados a Deus, principalmente os dos anos 50 e 60, mas gosta dos mais recentes, aqueles que fazem de Deus uma entidade castradora, como Advogado do Diabo ou Seven?
Santo Padre (engasgando-se com o terceiro pastel de nata) - Mai non veduto esso. (O jornalista tenta tirar um docinho do prato, mas o Santo Padre bate-lhe na mão e deita-lhe um olhar diabólico)
Jornalista – De certeza que não viu? Então o que é que é aquilo que está em cima do leitor de DVD? Parece-me a capa do filme protagonizado pelo Brad Pitt e pelo Morgan Freeman.
Santo Padre – Quello es… es…es…non conosco che cosa è quello. Ma io posso parlare de mio libro favorito. Mein Kampf. (Assustado com o que disse, tenta resolver imediatamente o seu erro). Mein Kampf??? No, no, mi scusi, volevo dire, Mein Kampfbahn. Esso, esso, Mein Kampfbahn, perché mi piace molto il gioco del cálcio. E ora vado a fare un pisolino. Ciao.
Jornalista – Pois, pois… Estou a ver, estou.

Sem quaisquer intenções de ganhar Pulitzers estiveram a maioria dos jornalistas mundiais quando decidiram noticiar os “novos pecados mortais”. Eu, por exemplo, tomei conhecimento do caso através de uma crónica (crucificadora) na TIME, a minha mãe pela tv, outros pelos jornais, pelas rádios, pelaa Internet, etc. A notícia estava por todo o lado e fosse qual fosse o meio, o que nos chegou foi uma notícia que ou nos dava para rir à gargalhada, ou para nos indignarmos.

Comecei por rir.
De repente, além de não podermos cobiçar a mulher do outro (confesso que sempre foi um pecado que me deu jeito, visto que nunca cobicei a mulher de ninguém), de não podermos ceder à luxúria (coitado do Canibal), de não podermos comer feitos glutões (este dava-me jeito levar a sério), de não podermos olhar para o próximo como se estivéssemos bem acima dele (Mourinho vai parar ao Inferno a 200km/h), de não podermos olhar, com o sangue a ferver, para a senhorita que leva um Elie Saab ao casamento da nossa melhor amiga, de não podermos simplesmente passar por um mendigo e não lhe dar uns cêntimos dos nossos milhares de euros que temos nos bolsos e de finalmente não podermos vegetar no sofá durante todo o domingo, a ver aqueles filmes que já passaram pelo menos 20 vezes naquele canal, ainda parecia que iríamos ser castrados de tantos outros bens. Bens esses que a saber seriam: as drogas, o nosso larguíssimo buraco do ozono, as desigualdades sociais, nomeadamente na forma de ostentação daqueles que são obscenamente ricos, aquele fígado novo que nos impediria de morrer de cirrose, etc, etc, etc. Obviamente que se instalou o pânico na sociedade.

Não chegava o Bispo Gianfranco Girotti vir com estes novos pecados, lá do pequeno estado, que ainda cá em Portugal tinha apoiantes. O Padre Vaz Pinto afirmou o seguinte, relativamente a outros novos pecados, como passar demasiado tempo a ver televisão, navegar na internet ou ler jornais "Não há dúvida de que hoje há um gasto imoderado de tempo que leva muitas vezes à grande passividade, à distracção do mais importante. Não há o melhor uso da nossa vida, tempo e amor. (...) Quem passa a vida na informação acaba por não poder intervir no resto da vida, deixando coisas mais importantes: a mulher, os filhos, o desporto, a cultura e por ai fora”. Naturalmente. Vejamos o seguinte exemplo. O português chega a casa e ouve o seguinte da sua querida esposa “ Olá querido! Sabes, hoje fui ao mercado e os preços estão pela hora da morte, preciso de mais dinheiro amanhã. Já para não falar que até terça tens de pagar a prestação do carro, da casa e o colégio dos miúdos”. “ Pai, pai quero a nova PSP para os meus anos e não queria ser eu a dizer-te isto, mas o Benfica perdeu hoje com a Académica por 3-0.” Desolado com a vida que tem pensa “ Vou ver um filme na TV para ver se me distraio. Ai, não posso que é pecado! Ai que se morro vou para o Inferno! O melhor é ir ler as escrituras.” Claro, as escrituras além de lhe darem o dinheiro para pagar a casa, o carro, a educação dos filhos ainda vão fazer com que o Benfica venha a ser campeão.

No entanto, parecia que ainda havia alguém são na Igreja. D. Januário apelidou de ridículas as novas “leis” do Vaticano. “Se assim é, então eu sou um grande pecador. Leio muitos jornais, navego na ‘net’ o tempo que for preciso e vejo televisão, como toda a gente. No limite, há ‘defeitos’ em tudo. O futebol, por exemplo. Também pode ser um pecado. O dinheiro que se gasta num bilhete podia ser dado aos pobres. Até em gestos simples encontramos, se quisermos, situações pecadoras. Um indivíduo que passeia à beira Tejo, se calhar, devia estar com a tia no hospital ou a fazer companhia aos netos”.

Entretanto (finalmente) comecei a pensar que existia algo de errado nesta história toda, que a comunicação tinha falhado certamente. E foi quando fui ler o L’osservatore Romano, isto para fazer jus ao meu novo apelido de pedante intelectual. E eis senão quando… passei rapidamente ao segundo sentimento: o da indignação. Indignação com a minha pessoa, por ter feito o juízo fácil.

O Bispo Gianfranco Girotti como qualquer agente comercial vende o seu produto. Numa entrevista em que foram focados vários pontos, nomeadamente o papel de alguns órgãos do Vaticano, da visão dos fiéis relativamente à Igreja actual, abordaram-se as novas formas de pecado. Girotti fala na globalização e no cariz social que o pecado ganha. O que ele faz é uma chamada de atenção ao mundo e é também a tentativa de recuperar terreno, agora que os católicos passaram a ser o segundo maior grupo religioso do mundo. Quem é que, no seu perfeito juízo, não acha que é uma irresponsabilidade incrível o fosso social que se está a criar nas sociedades? Quem é que quer continuar a alimentar os desastres ecológicos? Quem é que acha que o Homem está cada vez mais altruísta? A meu ver não me parece que venha mal ao mundo por falarmos na responsabilidade social que cada um de nós deve ter.

Seguidamente, voltei a rir, mas um riso triste.
Se até aqui não via nada de errado nas palavras do Bispo, obviamente que não defendo que esta chamada de atenção se registe em campos como o da bioética e da liberdade pessoal (pelo menos naquela que não esbarra na liberdade pessoal do Outro). Aqui denuncio o meu carácter ateu e afasto-me galacticamente das crenças católicas. A negligência que é apontada, pelo Bispo, relativamente à ecologia e à justiça social é exactamente a mesma que a Igreja comete em relação às questões da investigação de células estaminais, da procriação medicamente assistida, da clonagem terapêutica, do uso do preservativo, entre muitas outras. No meio disto tudo, nem sequer vou perder tempo a dissertar sobre a hipocrisia que ficou impregnada na expressão obscenamente rico.

Os espelhos por terras italianas partiram-se há já muitos séculos atrás e o mesmo aconteceu com os binóculos que avistavam África. Se a nova forma de pecado e a globalização fazem o Vaticano reflectir nas novas repercussões sociais, porque não o fará agir e dar uma oportunidade a si próprio? E consequentemente aos seus fiéis? O grande dogma da Igreja é pensar que é o mundo que tem que se adaptar a ela e não o contrário. Enquanto assim for não haverá chamadas de atenção suficientes que a possam chamar à razão, nem indulgências infinitas que a possam salvar, porque o risco maior é ela desaparecer e não os seus discípulos fugirem dela.

O Papa afirma que se está a perder a noção de pecado e eu não poderei concordar mais com ele. Esperemos é que Deus, um dia destes, não olhe para o Vaticano e o veja como uma Sodoma ou uma Gomorra. Se tal acontecer apenas tenho um pedido: por favor Salve a Capela Sistina.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Crónica de um voo anunciado (atrasado e avariado)

“21 de Março, 09:40h – Aeroporto Sá carneiro

Adoro aeroportos, simplesmente adoro! E mesmo que não viaje, como acontece hoje. “ Pede-se ao Senhor Albano… e à senhora Ana…o favor de se dirigirem com urgência à porta 33.”

Há precisamente 15 dias atrás vivia, uma excitação diferente, a excitação de quem ia andar com a cabeça no ar, literalmente. Quer dizer, devo confessar que não foi com a excitação que tanto me caracteriza quando faço alguma viagem, mas isso explicarei numa próxima vez. Há 12 dias atrás, a excitação de quem estava a pousar os pés no solo que mais conheço e que é responsável por grande parte da minha personalidade. O regresso é, umas vezes, uma aterragem de entusiasmo com um pensamento que fica a quilómetros de distância, outras, um sorriso que pousa coberto por um nevoeiro melancólico. “Pede-se ao Senhor Albano o favor de se dirigir com a máxima urgência à porta 33.” (o Senhor Albano ou morreu ou então é melhor arranjar uma muito boa explicação.)

Nos aeroportos a volta ou a chegada, parece-me que são vividas de forma mais intensa que numa estação ferroviária ou numa gare de camionagem. Naturalmente, porque a este lugar estão associadas viagens de longo percurso. O coração ficar mais apertadinho se estivermos a dois mil quilómetros de distância do que a trezentos. No recinto das partidas, isso nota-se nos olhos que se distanciam daqueles que vão partir, nos narizes marcados no vidro que transparece a pista, no beijo último que anseia que o próximo seja bem mais longo, no abraço e lágrimas que não querem ser repetidos.

No local das chegadas, lembro-me sempre do início do Love Actually. Sempre.

Os olhares que pousam incessantemente na porta de saída dos passageiros, os braços abertos ansiando por fechar, as palavras que saem muitas vezes mais facilmente em gestos e em salgadas emoções. Aqui também se espera e espera. Hoje pela Paula, a minha tia preferida, (faço esta piada há anos e para quem não vê piada nenhuma na frase devo explicar que a Paula é a minha única tia). Voo atrasado 45 minutos.

Enquanto esperamos que apareça uma pessoa a empurrar uma mala vermelha maior do que ela, eu e o pai olhamos, observamos e “piadamos”. Os pinguins cor-de-rosa da Mateus Rosé parecem acreditar que “Taste Matters”, a Super Bock sempre muito hospitaleira com o seu “Welcome Bock”, o cãozinho a uns 3 metros de nós que a mim me faz despertar um sorriso – “oh, olha, só neste aeroporto é que deixavam entrar um cão para vir receber a possível dona” – e ao meu pai faz despertar indignação – “é mesmo a vaidade do Homem… trazer para aqui o animal. Até está assustado”, as duas árvores humanas a saudar quem chega (hoje é dia da árvore).
O patriarca – Próxima “rodada” é de Colónia.
…Esperamos mais uns segundos e lá começaram a sair algumas pessoas.
Pinheirinha – Têm cara de alemães, não têm? E têm um traje típico, não têm?
O patriarca – Então não se vê logo que são dos arredores de Colónia?
Somos uns cromitos, ih ih. E aqui está a Paula.”

Partida ou chegada? Não interessa. É nestes locais que se vê a vida, aquela que fervilha, aquela que nos tira do SNOOZE da maioria dos dias. TRIIIIIMMMMMM!!! Toca a despertar e acordar, literal e metaforicamente, para a vida. Perder o avião hoje pode não ser problemático, mas perdê-lo constantemente faz-nos desperdiçar milhas no cartão da felicidade.


P.S – Pois, estava atrasado, porque tinha estado avariado. E a cara da Paula era assim como que” Ufa, consegui chegar.” Quando o avião estava em Colónia , alguns segundos depois de ter começado a acelerar pela pista fora, teve de travar a fundo e voltar ao local onde tinha estado estacionado. O Comandante resolveu explicar que tinham identificado uma avaria no computador e que iam tentar arranjá-la através de instruções por telefone, visto que não tinham técnicos da companhia presentes no aeroporto de Colónia. Asseguraram aos passageiros que não tinham motivos para se preocuparem, porque basicamente o que iam fazer era um reboot do computador. Tranquilizador, não acham? O certo é que passados uns 20 minutos o problema estava resolvido e o avião pronto a arrancar.
E eu a pensar que as aventuras só aconteciam à little pinetree. Afinal, a família foi toda abençoada. :)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Todos os dias são bons dias para amar

Um pequeno conto :)

- Que queres jantar? – perguntou Alexandre enquanto abria o frigorífico.
- Não sei, algo repleto de calorias. Pizzas. Que te parece? E quero algo doce, uma sobremesa com milhões de calorias.
- Também não me admira nada que só queiras comer isso, não tens mais nada no frigorífico. Como é que consegues? Um dia destes ainda te arrependes.
- Não arrependo nada, sabes perfeitamente que tenho cuidado com a boca. Mas hoje é um dia especial, apetece-me ser marota. Por acaso não estás a querer insinuar nada, pois não?
- Sim, estou a insinuar que estás muito gorda. Que pareces uma baleia e que daqui a pouco não passas nas portas. – Respondeu Alexandre com um ar de brincadeira.
- E se tivesse assim tão gorda? Qual era o problema? Ias-me amar até ao fim das nossas vidas, não ias? Eu pelo menos adoro a tua “ pança”. – Disse Inês num tom carinhoso.
Alexandre fechou a porta do frigorífico, dirigiu-se à sala, deitou-se por cima de Inês e disse:
- Amar-te-ia mesmo que não existisses… Amar-te-ia mesmo que eu vivesse na Idade Média e tu no Renascimento… Amar-te-ia mesmo que fosses uma marciana….Amar-te-ia mesmo que eu fosse o azeite e tu a água… Amar-te-ia mesmo que eu fosse o Cunhal e tu o Salazar… Amar-te-ia em tempo de guerra e de paz, com pizzas ou sem pizzas… Sabes que te amo, não sabes?
- Sei… E também sei que te amo, hoje, ontem, amanhã, como Inês e tu como Alexandre, com a tua pança, com o teu brilho nos olhos, com as tuas palavras que tanto amo, com os nossos quadros, com tudo que faz de ti o Homem que amo para toda a minha vida. Mas, principalmente… por seres o Alexandre que só eu conheço.